Natal: instrumento do sistema sócio-político?

 

Segio MArcusDesde  Ecupres Traduccion en portugués.

Por Anibal Sicardi

Bahia Blanca.

Desde seu surgimento oficial e na atualidade, o Natal pode ser pensado como afim ao sistema sócio-político vigente.

É praticamente impossível especificar o dia exato do nascimento de Jesus. O 25 de Dezembro é uma data convencional. Não era celebrada nos primeiros tempos do cristianismo. Por volta do ano 200, ela começou a ser reconhecida em Alexandria e se popularizou a partir de 221. Por isso, quando se realizou o Concílio de Niceia em 325, Constantino aproveitou esta circunstância para promover o nascimento de Jesus como uma festa para a unificação de todo o império.

Desde muito antes havia celebrações relacionadas a Saturno realizadas durante a semana do solstício – no inverno europeu – e que culminavam no dia 25 de dezembro. Como elemento facilitador para que os romanos aceitassem o cristianismo e continuassem com suas festividades, o Papa Júlio I pediu, no ano 350, que o nascimento de Cristo fosse celebrado na mesma data. Isto se ligava à proposta de Constantino, mas agora com argumentos religiosos.

A festa do Sol contribuía para essas preocupações do imperador e do papa Júlio I. Havia duas crenças que circulavam em relação a isto. Uma, a de que o deus Sol havia nascido no dia 21 de dezembro, o dia mais curto do ano. Os dias ficavam mais longos à medida que o deus envelhecia. A outra, a de que o deus Sol morria naquele dia e, em seguida, iniciava-se outro ciclo.

O período do fim de ano era uma ocasião utilizada em outras culturas para festas semelhantes. Na Pérsia, ocorria o nascimento do deus solar Mitra. Em Roma, acontecia a Saturnália, em honra a Saturno quando os romanos deixavam de fazer negócios e guerras, trocavam presentes – algo que se acredita ser próprio do Natal – e temporariamente libertavam seus escravos.

No norte da Europa, no dia 26 de dezembro, recordava-se o nascimento de Frey – o deus da chuva, do sol nascente e da fertilidade – e se adornava uma árvore verde, que representava a árvore do universo, costume que se transformou da árvore de Natal. Os astecas celebravam desde o dia 7 a 26 de dezembro, o advento de Tonatiuh, o deus do sol e da guerra.

Entre os pais da Igreja, Irineu e Tertuliano não mencionam o Natal como festa cristã. Outro deles, Orígenes, se opôs a celebrá-lo porque nas escrituras do Antigo Testamento não há celebração de nascimentos e apenas o fazem “os pecadores” Faraó e Herodes. Posteriormente, depois de Martinho Lutero, algumas igrejas protestantes proibiram o Natal por sua relação com o catolicismo romano. Isto se prolongou até o século 19. No presente, os Testemunhas de Jeová rejeitam essa festa.

A primeira festa de Natal se realizou nos Estados Unidos em 1607, em um acordo entre católicos e protestantes. Em seguida, no processo de sua comercialização, eles introduziram o Papai Noel e assim a projetaram mundialmente. O presépio do Natal – cuja criação é atribuída a São Francisco de Assis – foi incorporado a ela, neutralizando o sentido de “pobreza” e “carência” que este tinha no amigo dos animais e da natureza. Os hoje abusivos cartões de Natal foram introduzidos em 1843 pelo londrino John Callcott Horsley.

Faz várias décadas que as igrejas cristãs se preocupam com a perda do sentido do Natal que, como se denuncia no presente, é acusado de ser consumista. No entanto, o enquadramento atual do memorial do nascimento de Jesus Cristo é semelhante ao que ocorria em sua origem oficial e massiva, já que sua a intenção foi a de incorporar uma conhecida e popular festividade “pagã” ao “cristianismo”.

Foi uma metodologia semelhante à dos conquistadores espanhóis que construíram templos “cristãos” sobre os lugares onde estavam os dos aborígenes ou ao incorporar a festa da Pacha Mama à festa da Virgem Maria.

A partir desta perspectiva é válida a pergunta sobre qual é o “sentido” da festa natalina. Ao celebrá-la, o que tem maior peso? O nascimento de Jesus? Ou o resgate mítico das festividades sobre as quais se apoiou o Natal e que tinha sua vigência em outras culturas?

A questão é válida se se observa o pouco espaço dado ao nascimento de Jesus nos evangelhos – reduzido a breves relatos de Mateus e Lucas – e o grande e substantivo espaço dado à principal crença do cristianismo, a ressurreição de Cristo. Para esta análise é importante observar que, em geral, esse fato está cercado pela tristeza da Semana Santa com um lampejo de alegria do domingo da Ressurreição. Este provoca uma boa frequência aos templos, mas esta não pode ser comparada à do Natal.

Por isso que pensar no Natal como um instrumento do sistema sócio-político vigente é uma instância válida. É uma hipótese que pode ser considerada herética, porque em uma destas descobrimos que estamos mais associados ao resgate mítico da festa do Sol que ao “nascimento” de Jesus. + (PE)

Tradujcción. Gentileza del Prof. Sergio Marcus Pinto Lopes. Traductor.Foto

 SN 1019/15

 

 

 

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