Os restos de um crânio esmagado com 10.000 anos de idade são a mais antiga evidência de guerra entre humanos

Craneo Guerra I

Por Susanna Pilny

Estados Unidos

Na Turkana ocidental, Quênia, onde uma antiga lagoa fornecia vida para as pessoas ao seu redor, foram desenterrados 27 caçadores-coletores pré-históricos horrivelmente massacrados. Isto empurra a data das guerras humanas para 10.000 anos atrás.

A descoberta foi feita por pesquisadores do Centro Leverhulme para o Estudo da Evolução Humana da Universidade de Cambridge (LCHES), em um lugar chamado Nataruk no Quênia.

Parece que este grupo de 27 pessoas pode ter sido de membros de uma família estendida: oito eram mulheres e seis eram crianças, todos curiosamente com idade inferior a seis.

Apenas 12 esqueletos estavam relativamente completos – permitindo que mais conhecimentos fossem extraídos desses restos – e destes, 10 demonstravam claros sinais de terem sido mortos violentamente. Suas bochechas e cabeças mostravam sinais de fortes traumas por contusão, possivelmente de clavas de madeira; as mãos, os joelhos e as costelas estavam quebradas; alguns apresentavam feridas deixadas pelas setas em seus pescoços; e pontas de projéteis de pedra foram descobertos alojados no crânio e no peito de dois homens.

Essas pontas eram feitas de obsidiana – uma rocha vulcânica negra facilmente afiada para fazer ferramentas de corte e de armas – e que é incomum na região.

“Obsidiana é rara em outros sítios do final da Idade da Pedra desta área na Turkana ocidental. Isto pode sugerir que os dois grupos que se confrontaram em Nataruk moravam em diferentes territórios”, disse Mirazon Lahr.

Quatro esqueletos foram encontrados em posições que indicam que suas mãos tinham sido amarradas, incluindo uma mulher que tinha de seis a nove meses de gravidez, como se percebe pelos ossos fetais recuperados.

Os corpos foram encontrados em o que parece ter sido uma região pantanosa rodeada por florestas, à beira de uma lagoa, provavelmente uma localização cobiçada pelos grupos. Teria sido um local ideal para o acesso à água potável e peixes. Peças de cerâmica foram encontradas também nas proximidades, dando a entender que alimentos anteriormente coletados haviam sido armazenados nelas.

“O massacre de Nataruk pode ter resultado de uma tentativa de toma de recursos – território, mulheres, crianças, alimentos armazenados em potes – cujo valor era semelhante ao das subsequentes sociedades agrícolas produtoras de alimentos, entre as quais ataques violentos contra seus assentamentos se tornaram parte da vida, “declarou a Dra. Marta Mirazon Lahr, do LCHES, de Cambridge, que dirige o Projeto IN-ÁFRICA e liderou o estudo Nataruk.

No entanto, essa ideia é incerta, pois parece que ninguém foi poupado, incluindo as mulheres e as crianças. É igualmente provável, portanto, que uma tal matança fosse um tipo padrão de resposta entre dois grupos humanos distintos à época.

A última teoria parece ainda mais possível pois todo o grupo foi deixado insepulto neste local idílico, o que sugere um alto nível de violência e talvez um desrespeito para o outro grupo.

Isto levou os pesquisadores a acreditar que esta é a mais antiga evidência cientificamente datada de um conflito humano, precursor da guerra entre os seres humanos. De fato, usando a datação por radiocarbono dos esqueletos, de amostras da camada de solo e de conchas encontradas em torno dos esqueletos, a equipe conseguiu empurrar a data de guerra humana para entre 9.500 e 10.500 anos atrás, na época seguinte ao da última Idade do Gelo, o Holoceno.

Isso torna a descoberta especialmente importante, pois as origens da guerra são muito debatidas. Como os autores mencionam no texto publicado hoje na Nature, a violência entre diferentes grupos é muito comum entre os chimpanzés. Se isto está ou não no destino evolutivo da humanidade (e assim tem nos assombrado desde que nossa espécie surgiu) ou se veio mais tarde quando a noção de propriedade se desenvolveu a partir dos seres humanos que se estabeleceram na terra como agricultores, é incerto.

No entanto, o grupo em Nataruk era nômade. Eles de modo algum eram agricultores. Assim um massacre dessa escala sugere que a guerra não é um comportamento aprendido, mas algo mais inerente.

“As mortes em Nataruk são testemunho da antiguidade da violência intergrupal e da guerra”, disse Mirazon Lahr.

“Estes restos humanos registram a morte intencional de um pequeno grupo de coletores deliberadamente não enterrados e fornecem uma singular evidência de que a guerra fazia parte do repertório de relações intergrupais entre alguns caçadores-coletores pré-históricos.” (PE/Redorbit)

http://www.redorbit.com/news/science/1113412128/10000-year-old-smashed-skull-remains-offer-oldest-evidence-of-human-warfare-012016/

SN 0030/16

 

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