A PRISÃO DE LULA

Lula 01Por Raul Longo

Piracicaba Brasil

Muito provavelmente as manchetes de jornais e chamadas de telejornais de todo o mundo em breve informarão o que há anos no Brasil se garante que acontecerá dentro de um mês, na próxima semana, questão de dias, daqui a pouco…

Mas agora, depois da publicação do boletim oficial do Poder Supremo seguido do pedido de renúncia de Temer por seu ex-aliado FHC que se anuncia candidato à realização imediata de eleições diretas, o fato é consumado. Já foi decretada a prisão de Lula.

Tudo é muito volátil e se reiteram testemunhos atestando a incorruptibilidade de Lula, mas se para o Judiciário brasileiro mais do que indício ausência de provas é convicção com permissão condenatória, se pode considerar que o Presidente Lula já está com um pé na cela.

A pequena minoria que há tanto tempo ansiou por esse arbítrio pode riscar o fósforo junto ao pavio de rojões e fogos de artifício. Comecem a festa!

Não se constranjam pela ausência de esperados convivas que tenham participado dos tumultos de rua entre 2013 a 2016, porque muita gente roeu a corda, mudou de lado, se arrependeram, conforme demonstrado pelas últimas pesquisas de intenções de votos.

Em 2004 a porcentagem de aprovação do primeiro ano de governo Lula era quase o dobro da que o elegeu, e agora, no caso de Temer despencou para 4% por uma bobagem.

Pelas palavras do Joesley o Poder Supremo do país deu ostart para consumação do golpe por trás do golpe, mas em verdade isso de Temer ser chefe de quadrilha perigosa nunca foi novidade.

Lula I

Alguns ficam confusos porque até ontem Lula é que era apontado como chefe de quadrilha e hoje mudam os personagens, mas a volatilidade de golpes dentro de golpe sempre provocam volúveis premências e pela urgência denotada o Poder Supremo tem de escandalizar com alguma coisa e usa o que o mundo inteiro já sabia e comentava desde a armação do golpe. Entre a capa da Época e a da publicação alemã de quase um ano atrás anunciando que o Brasil se transformou em “covil de gangster” só se substituem algumas palavras. Reedição versada ao português.

Desde que se uniram Fernando Henrique Cardoso, Eduardo Cunha, Aécio Neves, Romero Jucá, José Serra e demais, ficou tão evidente que o Brasil estava sendo tomado por uma quadrilha perigosa quanto morto em que sobem Fernandinho

Beira Mar, Marcinho VP, Elias Maluco e Marcola acompanhados de seus capangas. Nunca houve qualquer dúvida da periculosidade da quadrilha.

A consumação do golpe embutido no golpe de 2016 urge! Tanto que 3 dias depois de seu partido decidir manter a facção tucana integrada à quadrilha, FHC acorre ao pedido público de renúncia do chefe da facção PMDB e convoca eleições diretas. Está declarada a guerra entre PCC e Comando Vermelho!

Mas que ninguém se preocupe porque nesse tiroteio por conquista de território, o que se define mesmo é a iminente prisão de Luís Ignácio Lula da Silva, pois evidentemente FHC não vai se expor ao risco de confirmar o recorde de rejeição ao final de seu último mandato numa evidente derrota pelos 35% de votos que segundo as pesquisas de opinião pública elegeriam Lula no primeiro turno.

É como diz antigo ditado uruguaio “o diabo não é esperto por ser diabo, mas por ser velho”.

Lula II

Se eleito, FHC chegaria ao fim do governo com 90 anos de idade, mas o Poder Supremo não está disposto a incorrer em novos riscos como o que inviabilizou a alternativa mineira que era a única ainda livre de possibilidades de investigações externas e distantes de suas influências. Ministério Público da Suíça ou de quaisquer paraísos fiscais que resolva moralizar antigas benevolências ao crime organizado para evasão de divisas nacionais por algum HSBC.

Operação Zelotes, carregamentos aéreos de cocaína, denúncias de homicídios em série, não passam de delações que “não vem ao caso”. São assuntos domésticos que o Poder Supremo tem como blindar ou fazer cair no esquecimento. Seja com vazamentos seletivos, pedidos de vista do Gilmar Mendes ou qualquer outro artifício entre os tantos disponíveis, incluindo a tradicional queima de arquivo como no caso do policial Lucas Arcanjo. Não deixa de ser o meio mais limpo, simples e seguro desde muito antes do PC Farias.

Mas o que fazer se algum novo julgamento como o da Siemens AG ou da Alston atravessar o Atlântico e colher Alckmin ou José Serra num tsunami igual ao que varreu Eduardo Cunha para a carceragem?

O que a delação do Joesley trouxe de novo não foi nada do que falou ou gravou, mas a quem expôs o que gravou, porque ao escolher justo um juiz ainda não integrado ao sistema, queimou a última opção e só restou FHC mesmo.

Ideal se fosse o Gilmar ou o Alexandre de Moraes, mesmo se ao invés do Fachin tivesse escolhido a Rosa Weber, o Luís Fux, o decano, talvez até a presidente do STF; Aécio estaria safo. Decolando livre da pista de Cláudio ou pousando em heliporto de Ipanema. Mas agora só o FHC assumindo a tarefa.

Possível que perca a eleição direta para a Marina Silva, mas até aí não tem problema algum. Há muito tempo que o verde que a ex-ambientalista defende é bem outro e exatamente o de idêntico interesse do Poder Supremo.

Lula III

Importante é o deflagrar do golpe por trás do golpe enquanto é tempo porque as coisas estão se complicando com a onda de delações. Já não há mais “não vem ao caso” que evite a clara percepção de toda a armação que se ressalta até na própria entrevista do Joesley. O empresário seguiu direitinho o roteiro sem esquecer da fala: “Lula e PT institucionalizaram a corrupção no Brasil”, mas a direção deixou passar a falha do apenas dois encontros com Lula na vida. E o revisor comeu barriga.

Como se pode fazer uma afirmação dessas sobre alguém com quem só se conversou duas vezes? Não há como perceber institucionalização de coisa alguma em dois encontros. Isso ou é achismo de preconceito ou antipatia individual. Evidente matéria paga, afirmação remunerada. Claro que Joesley não precisa de vender mentiras, mas negócio é negócio e acordo de cavalheiros entre grande anunciantes e veículos é o que construiu e constitui o Poder Supremo do Brasil.

A errata já saiu na primeira edição do Jornal Nacional da semana, na segunda-feira, dia 19, com afirmações do advogado do próprio Joesley desdizendo o cliente e garantindo que Joesley e Lula eram carne e unha, onde estava um se encontrava o outro. Só faltou o William Bonner convencer seus Homer Simpson de que Joesley e Lula eram tão próximos que até deu no boato do Lulinha ser o dono da Friboi. Mas Bonner confia nas limitações do que chama de“meus Homer Simpson” e sabe não ser preciso fazer força para que reproduzam o JN como se avestruz fosse cruzamento de hiena com papagaio.

Para entender o motivo da frase decorada pelo Joesley é preciso prestar atenção no que em 2007 Stephen Sackur, apresentador do programa Hardtalk da BBC demonstrou ao próprio FHC, revelando como realmente se institucionalizou a corrupção no Brasil, conforme aqui se reproduz com legenda:https://youtu.be/cNhs2d_ScW4

Apesar de também justificar a urgência do golpe por trás do golpe, exatamente esta entrevista sugere outra preocupação: qual será a repercussão internacional sobre a prisão do Lula?

Até passar o constrangimento mundial pelo encarceramento de um dos governantes mais notabilizados entre os povos e instituições de todas as nações nos últimos tempos, por quanto tempo o Brasil será mantido à distância como os cinco metros impostos ao Temer na foto oficial do G 20? Aquilo não foi encontro, mas desencontro, afinal cinco metros são apenas alguns passos para um presidente, mas um enorme salto para um país tentar chegar a outra margem sem despencar no abismo que se aprofunda. E a outra margem ficará ainda distante com a prisão de Lula.

Entre as facções pemedebistas e gangsteres tucanos, difícil se imaginar em que situação ficará o Brasil perante o mundo com a prisão de Lula, mas o certo é que o constrangimento e descaso dos podres poderes brasileiros às mais significativas e notáveis instituições e organizações do mundo estabelecerão uma distância difícil de ser reduzida.

É o caso da ONU que com Lula teve até direito a show do Gilberto Gil com ginga de ombros e Kofi Annan arriscando passinhos e com os abraços, sorrisos e beijinhos da Dilma. Este ano, para combinar com o semblante do Temer na abertura todas as delegações se comportaram com a circunspecção típica de velório ou exumação.

Como será depois da prisão de Lula a quem a ONU outorgou sua mais alta honraria, o Félix Houphouët-Boigny?

O primeiro laureado com o Prêmio Félix Houphouët em 1991 foi o sul-africano Nelson Mandela que passou 27 anos na prisão pelos mesmos motivos que ele e Lula foram homenageados pela ONU: promover a democracia, a justiça social e a igualdade de direitos em seus países. Além do sul coreano Ban Ki-moon notar que a Lula também por “ sua valiosa contribuição para a erradicação da pobreza e para a proteção dos direitos das minorias”

Quem é jornalista de verdade sabe que será inevitável a comparação. E não só com Mandela. O mesmo aconteceu a outros premiados como Xanana Gusmão do Timor-Leste e às Mães da Praça de Maio da Argentina.

Sem dúvida, por solidariedade, a maioria dos colegas de Lula naquela premiação expedirá notas à imprensa, sobretudo o ex-presidente Jimmy Carter que tem se notabilizado pela observância e esforços em proteção à democracia no mundo e na América Latina em particular.

A prisão de Lula desqualificará as principais instituições do mundo de Ocidente à Oriente onde Lula recebeu, na Índia, os dois mais importantes prêmios asiáticos: o Prêmio Nehru de Compreensão Internacional que desde 1968 vem sendo entregue à expoentes da humanidade como Martin Luther King, Madre Tereza de Calcutá, Nelson Mandela, Yasser Arafat, Helmut Kohl e Angela Merkhel. E o Indira Gandhi que além de Jimmy Carter e Lula foi entregue a gente da importância de um Mikhail Gorbachev, um Kofi Annan e uma Angela Merkel.

Em âmbito doméstico o Poder Supremo do Brasil não se preocupa com repercussões de seu declarado apoio e exaltação a corruptos, criminosos e traficantes internacionais, pois por ser quem pauta a omissão de fatos e repercussão de factoides pela mídia monopolizada, faz com que brasileiros pensem pensar o que cotidianamente é condicionado; mas o que pensará um cidadão da Europa Ocidental ciente de que Lula foi um dos reconhecidos pelo Prêmio Príncipe de Astúrias na categoria Colaboração Internacional? Ou o que pensará um eslavo sobre a prisão de uma personalidade reconhecida pela Ordem do Príncipe Yaroslav?

Se contar a um brasileiro que pelo bom senso das Forças Armadas FHC foi impedido de conceder a mais alta comenda nacional para Henry Kissinger, certamente não fará efeito algum porque a maioria não faz nenhuma ideia do que seja a Ordem do Cruzeiro do Sul. Mas isso é uma particularidade nossa, outros povos costumam levar essas coisas a sério.

No México, por exemplo, a Ordem da Águia Asteca, criada em 1933, além da rainha da Inglaterra e dos reis de Espanha, Suécia, Grécia e Noruega, distinguiu poucos plebeus. Dos EUA, afora um presidente dos anos 50, apenas Bill e Melinda Gates. Da América Latina o escritor colombiano Gabriel Garcia Marques, a presidenta Michel Bachelet do Chile e o líder cubano Fidel Castro.

Do Brasil, os únicos homenageados com o troféu da Águia Asteca foram Dilma Vana Rousseff e Luís Ignácio Lula da Silva. Mexicanos também não premiam qualquer um.

Algumas instituições britânicas são mais pródigas na concessão de títulos em troca de financiamentos e talvez por isso os “jênios” da revista Veja, mortificados pela premiação ao Lula em 2009 pela Chatam House, noticiaram que se deu por financiamento de empresas estatais brasileiras. Se então os ingleses resolvessem exigir que a revista provasse o que afirmou, poderiam quebrar a Editora Abril, mas preferiram manter a tradicional fleuma britânica e ficaram no laconismo da The Week que apontou a Veja como “brazilian gossip magazine” (revista brasileira de fofocas),

O que os “intelectuaus” que trabalham na parceira do Poder Supremo ignoram, é que a Chatam House é internacionalmente reconhecida como a principal instituição do mundo em análise e promoção de temas políticos.

Celeuma semelhante ocorreu quando o Institut d’Études Politiques de Paris, abreviadamente conhecido por Sciences Po, considerada a melhor universidade de ciências políticas da Europa, em 2008 resolveu conceder o título de Doutor Honoris Causa ao Presidente Luís Ignácio Lula da Silva.

Como ao longo de sua existência a Sciences Po somente concedeu o título a 16 estadistas e Lula foi a única personalidade do Hemisfério Sul a recebê-lo, o Poder Supremo enviou seus representantes para passar um pito no reitor da instituição fundada em 1872. Pediram satisfações de por que ao invés de Lula o título não foi outorgado ao FHC. A socapa o respeitável senhor apenas riu da presunção dos empregados da Globo, certamente desconhecendo que depois da compra da Academia de Letras do Brasil fundada em 1897 (¼ de século menos que a Sciences Po), todos os empregados do Poder Supremo podem se tornar “Imortais”, inclusive o próprio FHC e mesmo autores de um só livro que ninguém nunca leu nem ouviu falar. Desde que funcionário do Poder Supremo, qualquer quadrilheiro.

Lula 01

A prisão de Lula poderá esclarecer algo sobre estes surpreendentes vexames, mas será inexoravelmente deplorada também nos EUA pelo Instituto Woodrow Wilson que o premiou em 2009 e a Universidade de Utah que em 2011 dignificou Lula e John Kofuor de Gana como os dois únicos ex-presidentes a receberem o World Food Prize – Prêmio Mundial da Alimentação, pelos esforços de ambos contra a fome em seus países.

Em total Lula recebeu 37 honrarias, títulos e premiações outorgadas pelas mais distinguidas e tradicionais instituições de 19 países das Américas, Ásia, Europa e África, afora ter sido apontado como personalidade do ano nos principais jornais do mundo como New York Times, El País e Le Monde.

Além de brasileiro que mais recebeu diplomas de Doutor Honoris Causa de academias estrangeiras, também foi reconhecido como Estadista Global pelo Conselho de Davos, organismo representativo das maiores concentrações de capital privado do mundo. Conforme explicação do presidente-executivo do Fórum Econômico Mundial, o título foi instituído para dignificá-lo porque “o presidente do Brasil demonstrou um verdadeiro comprometimento com todos os setores da sociedade (…) esse comprometimento tem sido de mão e mão integrando crescimento econômico e justiça social. O presidente Lula é um modelo a ser seguido pela liderança global”

Afora todas essas entidades e organizações, durante e depois de seu governo Lula foi o brasileiro mais citado e apontado em declarações de praticamente todos os chefes de estado, comentaristas e analistas políticos do mundo e, sem dúvida, sua prisão provocará muita comoção e constrangimento em todo o planeta; ainda que alegre uma minoria de brasileiros.

E daí se pergunta sobre qual será a impressão da comunidade mundial sobre o governo do golpe da prisão de Lula que já veio embutido no golpe à Dilma Rousseff em 2016? Independente de quem seja que o Poder Supremo escolha para representar seus interesses em substituição ao Michel Temer, impedidos de votar em Lula aos brasileiros só restará torcer para que não se repita Bill Clinton demonstra neste vídeo: FHC deu vexame internacional e levou sermão de Bill Clinton …,

Afora isso não há mais nada a se esperar da prisão de Lula agora que o ministro Edson Fachin retirou de Sérgio Moro a responsabilidade sobre a ordem de mandar Lula pra cadeia.

Com essa decisão Fachin impede que o jornalismo investigativo preservado na imprensa internacional realize um levantamento sobre a real institucionalização da corrupção no Brasil quando em 1966 o FBI, lá no país onde hoje vive Joesley Batista, interceptou um gerente de câmbio do Banestado pelo desvio de US$ 228,3 mil de uma conta em agência bancária de Nova Iorque. Sem oferecer premiação alguma, o FBI obteve não só a admissão do desvio como a delação de todo o esquema de captação e remessas ao exterior de dinheiro público do Brasil.

O delator informou ao FBI a relação das 107 contas existentes só naquela agência, mas como o Banestado era uma das mais sólidas instituições financeiras do Brasil, a investigação foi transferida aos que deveriam ser os mais interessados e o Ministério Público Federal brasileiro chegou mesmo a levantar muita coisa, mas designou o mesmo Sérgio Mouro para o julgamento do operador da evasão de divisas e desvios de verbas públicas: Alberto Youssef que, como todos os demais envolvidos: Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Camargo Correia e OAS foram mantidos impunes pelo mesmo Moro que julga a Lava-Jato, embora devesse ser um dos investigados, até por sua celebrização e promoção pelo Poder Supremo que no caso do Escândalo do Banestado o Ministério Público apurou haver desviado com sua subsidiária RBS cerca de R$ 1,8 bilhões, bem mais do que o Itaú pagou pela aquisição do Bando do Estado do Paraná. As empresas do Grupo Abril, incluindo a revista Veja, levaram R$ 60 milhões. E o grupo Silvio Santos modestos R$ 40 milhões. Ou seja, para a imprensa internacional sem dúvida tudo isso virá ao caso

Em 2003, primeiro ano do governo Lula, foi montada uma CPI no Congresso e o relator, deputado José Mentor do PT, apontou 91 políticos envolvidos. Mas o presidente Antero Paes de Barros do PSDB e o vice Rodrigo Maia então do PFL e atual presidente da Câmara pelo DEM, entraram em conflito com o relator e encerraram aquela CPI sem permitir a leitura do relatório. Deu em pizza e o Joesley vem falar de institucionalização de corrupção como quem não difere mozzarella de queijo coalho!

Com a decisão de Fachin talvez se perca algo sobre as reais motivações das convicções que levarão Lula à cadeia, mas certamente também não faltarão comparações com a liberação após dois anos de prisão do médico Abdelmassih, condenado a mais de um século de reclusão por mais dezenas de estupros praticados contra pacientes anestesiadas. E numa tentativa de tentar compreender o sentido da palavra Justiça em português brasileiro, provavelmente verdadeiros jornalistas descubram qual realmente é mais perigosa quadrilha do Brasil já bastante conhecida de outras épocas antes da Época, mais precisamente desde quando a BBC produziu o documentário “Muito Além de Cidadão Kane”. (PE)

https://goo.gl/VCaU85

SN 212/17

 

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